Vias de fermentação
Fermentação é um processo metabólico que ocorre em organismos sob condições anaeróbicas, onde a glicose é parcialmente decomposta para gerar energia e regenerar portadores de elétrons. O propósito principal é permitir que a glicólise continue reciclando NADH de volta para NAD+, na ausência de oxigênio, permitindo a produção de ATP mesmo sem respiração aeróbica.
Fermentação em Organismos: Processo Passo a Passo
Passo 1: Glicólise
- Glicose (C6H12O6) é transportada para o citoplasma.
- Ela sofre uma série de reações catalisadas por enzimas, dividindo-se em duas moléculas de piruvato (C3H4O3).
- Durante isso, 2 moléculas de ATP são usadas na fase preparatória, e 4 moléculas de ATP são geradas na fase de pagamento, produzindo um ganho líquido de 2 ATP.
- Adicionalmente, 2 moléculas de NAD+ são reduzidas para NADH (portadores de elétrons).
- Este passo não requer oxigênio e ocorre em quase todas as células vivas.
Passo 2: Conversão de Piruvato (Vias de Fermentação)
Na ausência de oxigênio, o piruvato é metabolizado anaerobicamente para regenerar NAD+ de NADH.
A conversão depende do organismo e do tipo de fermentação:
A. Fermentação Alcoólica (em leveduras e algumas bactérias)
- Descarboxilação de Piruvato para Acetaldeído
Cada molécula de piruvato produzida na glicólise é transportada para o citosol onde sofre descarboxilação enzimática.
A enzima piruvato descarboxilase catalisa a remoção de uma molécula de dióxido de carbono (CO2) do piruvato, produzindo um composto de 2 carbonos chamado acetaldeído.
A liberação de CO2 é responsável pelas bolhas em bebidas alcoólicas e o fermento na massa.
- Redução de Acetaldeído para Etanol
Acetaldeído é então reduzido para etanol pela enzima álcool desidrogenase.
Essa redução requer elétrons e prótons, fornecidos por moléculas de NADH geradas na glicólise.
Durante essa reação, NADH é oxidado de volta para NAD+.
A regeneração de NAD+ é crítica porque repõe o suprimento de NAD+ necessário para manter a glicólise em funcionamento, permitindo assim uma produção contínua de ATP sob condições anaeróbicas.
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Excreção de Etanol e CO2
O etanol produzido acumula no citoplasma e é eventualmente excretado para o ambiente circundante.
CO2 liberado durante a descarboxilação de piruvato difunde para fora, causando efervescência em bebidas fermentadas ou fermento na massa.
B. Fermentação do Ácido Láctico (em células musculares e algumas bactérias)
- Redução de Piruvato para Lactato
Na ausência de oxigênio, a respiração aeróbica não pode prosseguir, então as células desviam o piruvato para fermentação.
Piruvato serve como aceitador de elétrons.
A enzima lactato desidrogenase (LDH) catalisa:
- A transferência de elétrons (átomos de hidrogênio) de NADH para piruvato.
- Piruvato é reduzido para lactato (ácido láctico).
Isso regenera NAD+ oxidando NADH de volta para NAD+, o que é crucial para sustentar a glicólise.
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Reciclagem de NAD+
NAD+ é essencial como aceitador de elétrons para a glicólise.
Sem fermentação regenerando NAD+, NAD+ seria esgotado, parando a glicólise e a produção de ATP.
A reciclagem de NAD+ através da formação de lactato garante um suprimento contínuo de ATP sob condições anaeróbicas.
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Destino do Lactato
Lactato acumula em células musculares durante exercício intenso quando a entrega de oxigênio é limitada.
Ele difunde para a corrente sanguínea e é transportado para o fígado.
No fígado, durante fases de recuperação, o lactato é convertido de volta para piruvato e glicose no ciclo de Cori (gliconeogênese).
O processo não produz CO2; é unicamente uma redução de piruvato para lactato.
C. Outros tipos de fermentação (ex.: ácida mista, fermentação de ácido propiônico) existem em micróbios específicos produzindo vários ácidos orgânicos, álcoois e gases.
Fermentação ácida mista é um processo anaeróbico complexo realizado por certas bactérias, notavelmente Escherichia coli e espécies de Clostridium, que produzem uma diversa gama de ácidos orgânicos, gases e álcoois a partir de açúcares como glicose.
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Conversão de Piruvato para Produtos Finais Diversos
O piruvato sofre várias transformações catalisadas por diferentes enzimas:
- Piruvato formiato-liase (PFL): Converte piruvato em formiato e acetil-CoA.
- Formiato hidrogênio liase (FHL): Converte formiato em gás hidrogênio e dióxido de carbono.
- Fumarato redutase: Reduz fumarato para succinato usando elétrons de NADH ou ferredoxina reduzida.
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Formação de Ácidos Orgânicos e Gases
Essas enzimas facilitam a formação de:
- Ácido acético (via conversão de acetil-CoA).
- Succinato (por redução de fumarato).
- Ácido láctico ou etanol sob condições específicas.
- Gases como hidrogênio (H2) e dióxido de carbono (CO2), contribuindo para flatulência e produção de gás.
Em resumo, a fermentação permite que as células produzam ATP anaerobicamente por glicólise acoplada com regeneração de NAD+ via vias diversas relativas ao tipo de organismo. Embora menos eficiente que a respiração aeróbica, permite a sobrevivência e extração de energia sob condições limitadas de oxigênio.
